“Meia-sola” e três décadas de descaso
O bairro de São Tomé de Paripe sofre com as obras inacabadas e com as promessas não cumpridas dos governantes
Por Maiana Cavalcante
Na rua Nova Brasília, em São Tomé de Paripe, a vida tranqüila acompanha o asfalto. Quando ele acaba, começam os problemas. Em um dos bairros da periferia de Salvador que aparenta ter um mínimo de infra-estrutura básica os moradores denunciam: obras de pavimentação inacabada, esgoto a céu aberto, lugar perfeito para a proliferação de insetos e ratos. Além das doenças causadas pelo contato com a sujeira e o mau cheiro, os moradores convivem com o medo do desabamento de um barranco.
O asfalto, que existe até certo ponto, sede lugar a uma estrada sem qualquer tipo de pavimentação ou estrutura. Verdadeiras crateras impedem de veículos, como os de entrega de gás, sigam seu percurso, e a poeira que encobre os móveis das residências, prejudica consequentemente a saúde das crianças, que sofrem com problemas respiratórios.
Há 4 meses um esgoto estourou na rua invadindo as casas dos moradores. As crianças, que possuem a rua como a única área de lazer, brincam em meio ao mau cheiro e aos perigos que correm em adquirirem alguma doença. “As crianças ficam brincando, subindo e descendo aqui por cima do esgoto, em tempo de pegar uma doença, como aconteceu com a filha da vizinha que caiu doente e ninguém sabe o que foi!”, afirmou Jéssica Graziela, estudante.
O líder comunitário Josemiro do Rosário diz que mora na rua Nova Brasília há mais de 30 anos, e que esse problema de esgoto sempre existiu no local; “O mau cheiro passa por dentro da minha casa, rato aqui pega picula, até os gatos tem medo dos ratos de tão grandes que são, os políticos só vem aqui enganar o povo”. Foram colocadas manilhas no local para realização das obras de saneamento e esgotamento, mas até o momento nada foi feito.
Em contato com a assessoria de comunicação da Embasa, empresa responsável pela rede de esgoto da capital baiana, fui informada que a empresa já tinha realizado um serviço de desobstrução da rede de esgoto, mas que, por algum motivo o canal teria entupido novamente e estourado, mas que iriam mandar novamente uma equipe vistoriar o local. No fechamento desta matéria o serviço já estava realizado.
No local existe também uma encosta que ameaça desabar a qualquer momento, prejudicando tanto quem mora em cima quanto quem mora em baixo. Os moradores dizem que o medo de desabamento é constante. “Quando chove eu não durmo, fico acordada a noite toda com medo do barranco cair”, diz dona Edna, faxineira. Os moradores da rua já foram na CODESAL – Defesa Civil, lá foram recebidos e informados que o problema seria de competência da Surcap- Superintendência de urbanização da Capital. No órgão foram informados que no momento não se valiam de verbas para realização das obras de contenção e drenagem, mas que o processo ficaria protocolado.
Em contato com seu Limiro Besnosik, assessor de comunicação da Surcap, o mesmo informou que o órgão iniciou a pouco mais de 3 meses obras de contenção de encostas no mesmo bairro orçadas em quase 1 milhão, com recursos liberados pelo Ministério da Integração Nacional e que a Surcap irá incluir a localidade entre os projetos a serem executados na área.